“Vamos brincar de gangorra, meu amor?”

Quando um está mal, o outro deve estar bem.

Quando um está irritado, o outro deve ser paciente.

Quando um está cansado, o outro deve encontrar disposição.

Quando um adoece, o outro deve mostrar saúde.

Quando um se envaidece de razão, o outro deve ser humilde no cuidado.

No casal, as fraquezas não podem convergir. Não podem ocorrer simultaneamente.

Se vê que sua parceira explodiu, escolha um momento distinto para desabafar e reclamar. Recue de sua catarse. Deixe para o dia seguinte. Ela nem irá ouvi-lo no acesso de cólera.

Quando os dois decidem ser a parte mais fraca do relacionamento, os laços sucumbem.

Não podem ocupar o mesmo papel, o mesmo script. Só há vaga para um protagonista em cada crise. Alguém terá que ser coadjuvante. Dois vilões no mesmo filme geram divórcio.

A alternância é o segredo da convivência. Mudar de lugar sempre, analisar quem mais precisa e ceder se for necessário.

O que traz estabilidade é a gangorra: quando a mulher cai, o homem estende o braço, quando o homem vacila, a mulher acode.

A separação acontece quando duas chagas conversam procurando mostrar qual é a mais funda. É quando duas feridas travam uma guerra buscando sangrar mais, e nenhum dos lados estanca a própria carência.

O sofrimento acentua o orgulho, a dor agrava a cegueira, a ansiedade
de resolver logo a discordância apenas abre a porta para o fim.

É uma disputa do desespero, e o casal se afoga nas mágoas. Não haverá sequer um salva-vidas acordado.

Ainda que sobre paixão, ainda que reste confiança, nada segura o momento em que os dois coincidem em enlouquecer. A loucura exige troca de plantão.

O casal é capaz de destruir uma história linda e promissora por uma noite de fúria.

A esposa e o marido se transformam em crianças, e crianças abandonadas em casa berrando e com medo. Tentarão gritar alto para chamar os vizinhos e denunciar os maus-tratos. E vão se indispor e se ofender tanto, e vão se provocar e se agredir tanto, que depois é difícil cicatrizar.

Um tem que ser adulto na hora do pânico. Um tem que ser responsável. Um tem que ser forte o suficiente para preservar as fraquezas do amor.

Texto: Carpinejar.

 

#novancora

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Valdirene Oliveira

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Em algum momento de minha vida alguém me diagnosticou com depressão. Em busca de melhor qualidade de vida e melhores emoções, busquei desenvolver-me pessoalmente. Hoje, ajudo principalmente pessoas com depressão, síndrome do panico e ansiedade a lidarem melhor com suas reações e terem mais qualidade de vida de forma simples, eficaz e breve. Psicoterapeuta, com objetivo de buscar o equilíbrio das emoções. Podendo ajudar a lidar com sentimentos que estão em conflito, que negamos ou que temos que modificar, como a insatisfação, a incerteza, insegurança, a raiva, entre outros.
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Sobre Valdirene Oliveira

Em algum momento de minha vida alguém me diagnosticou com depressão. Em busca de melhor qualidade de vida e melhores emoções, busquei desenvolver-me pessoalmente. Hoje, ajudo principalmente pessoas com depressão, síndrome do panico e ansiedade a lidarem melhor com suas reações e terem mais qualidade de vida de forma simples, eficaz e breve. Psicoterapeuta, com objetivo de buscar o equilíbrio das emoções. Podendo ajudar a lidar com sentimentos que estão em conflito, que negamos ou que temos que modificar, como a insatisfação, a incerteza, insegurança, a raiva, entre outros.

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